Plano de Manejo em Unidades de Conservação



O que é Manejo em Unidades de Conservação

Entende-se o termo manejo como um conjunto de intervenções que promovam a conservação biológica, incluindo inventários, planejamento de usos, criação e implantação de Unidades de Conservação e ações coordenadas que viabilizem a sua manutenção como um todo.
O manejo de unidades de conservação é o conjunto de ações e atividades necessárias ao alcance dos objetivos de conservação de áreas protegidas, incluindo as atividades afins, tais como proteção, recreação, educação, pesquisa e manejo dos recursos, bem como as atividades de administração ou gerenciamento. O termo gestão de uma unidade de conservação pode ser considerado sinônimo de manejo da mesma.

Objetivos do Manejo em Unidades de Conservação

Para a conservação da biodiversidade, principalmente em unidades de conservação, há necessidade de objetivos básicos de manejo:
• preservar a biodiversidade biológica;
• preservar e/ou restaurar amostras dos diversos ecossistemas naturais;
• proteger espécies raras, endêmicas, vulneráveis ou em perigo de extinção;
• propiciar fluxo genético entre áreas protegidas;
• preservar recursos de flora e/ou fauna;
• manejar recursos de flora e/ou fauna;
• proteger paisagens e belezas cênicas notáveis;
• proteger sítios naturais com características abióticas excepcionais;
• proteger bacias e recursos hídricos;
• incentivar pesquisa científica e estudos;
• proporcionar educação ambiental;
• proporcionar turismo ecológico e recreação em contato com a natureza;
• contribuir para o monitoramento ambiental;
• incentivar o uso sustentável de recursos naturais da conservação;
• servir de zona-tampão para áreas mais rigidamente protegidas;
• preservar provisoriamente áreas para uso futuro.
Os objetivos de conservação da natureza são múltiplos, entretanto há de se considerar os distintos tipos de unidades de conservação. Prioritariamente há determinados objetivos que poderão ter maior ou menor significados para a preservação dos ecossistemas naturais.

Categorias do Manejo em Unidades de Conservação


O enquadramento das áreas silvestres com base nos objetivos de sua própria existência define, portanto, as categorias das unidades de conservação. Conceituam-se os objetivos em primários - aqueles que prioritariamente definem as categorias, bem como objetivos secundários - subprodutos da própria existência daqueles primários.
Além desse aspectos, as unidades de conservação podem ser enquadradas, de acordo com seu nível de importância relativa, conforme o IBDF (1982), em:

• categorias de importância nacional - caracterizam-se por total proteção dos recursos, uso indireto, manutenção de parcelas do ecossistema em estado natural e áreas de propriedade de poder público
• categorias de manejo complementar - caracterizam-se por proteção parcial dos recursos naturais, uso indireto, que em sua totalidade ou somente em parte pertencem ao poder público
• categorias de manejo adicionais - caracterizam-se por proteção parcial, uso direto racional, áreas que independentemente da condição de propriedade estatal, podem contribuir para o sistema de unidades de conservação
• categorias de importância mundial - referem-se àquelas áreas consideradas de importância para a humanidade, reconhecidas internacionalmente, podendo ou não ser área de propriedade do poder público (mais que uma categoria, configuram o reconhecimento internacional)
• categorias de importância regional - são semelhantes a quaisquer das categorias citadas, só que assumindo um grau de importância restrita a uma região menor.
O que é um Plano de Manejo
Características - as unidades de conservação, devendo cumprir importantes funções ecológicas, científicas, econômicas, sociais e políticas no País, devem ter suas administrações e manejos fundamentados em princípios de Planejamento atualizado e, portanto, dinâmicos.

Embora o desenvolvimento do processo produtivo em áreas silvestres requeira a aplicação dos fatores de produção tal como nas empresas florestais, ele deve ser manipulado no sentido de atingir os objetivos das próprias categorias de manejo, tais como: proteger a vida silvestre, os recursos hídricos e a paisagem; propiciar a pesquisa científica; e promover a recreação e educação ambiental.

Objetivos do Plano de Manejo

Do planejamento, considerado como uma técnica ou instrumento de organização de processos futuros que permite otimizar as ações destinadas a alcançar objetivos propostos, resulta o “Plano de Manejo” da unidade de conservação. Esse plano de manejo, contendo atividades e ações necessárias para se alcançar os objetivos, unidades de conservação nos seus trabalhos de administração.
O Plano predetermina as atividades para o alcance dos objetivos e deve contar com três aspectos fundamentais:

• deve tratar sobre o futuro;
• deve implicar ação;
• deve identificar as pessoas ou organizações que realizarão as atividades.
Assim, o plano, como instrumento do planejamento, deve conter respostas para os seguintes itens:
• O quê?
• Por quê?
• Onde?
• Quando?
• E como?
Isto porque somente com um objetivo justificado (O quê? e Por quê?) pode-se reunir os dados necessários (Onde? Quando? E como?) para a realização do plano de manejo.
Os dados básicos necessários são chamados de informações e para ordená-los deve-se usar um modelo, um esquema escrito de trabalho, que inclui os fatores de produção que se quer levar a cabo.
No processo de planejamento, é fundamental que se entenda o sentido de se chegar a um objetivo, no entanto, não deve ser confundido o planejamento (o instrumento utilizado) com os próprios objetivos, mesmo considerada a relação entre ambos. Os objetivos manifestam-se como a clara intenção do que se espera obter, enquanto o planejamento encerra as normas de como fazê-lo, ou seja, a política, a orientação e as técnicas empregadas com esse fim.

Tipos de um Plano de Manejo


Quanto a existência ou não de um plano de manejo, uma unidade de conservação pode sofrer dois tipos de manejo: moderado e intensivo.
Manejo Moderado -é o tipo de manejo realizado quando a unidade não conta, ainda, com plano de manejo. Sem objetivos claros e bem definidos, as ações se restringem a processos empíricos, experiências positivas de outras unidades e à proteção dos recursos naturais e das instalações existentes.
Manejo Intensivo - é adotado quando a unidade de conservação já conta com um plano de manejo especificamente elaborado. Neste caso são desenvolvidas as atividades nele previstas, visando atingir os objetivos programados. O termo intensivo não se refere, portanto, ao grau de intensidade de uso, mas sim à maneira ordenada de desenvolvimento da administração e manejo da unidade.

Diretrizes para Planejamento dos Objetivos


Como as diferentes categorias de manejo tem objetivos específicos, para atingi-los serão necessárias áreas, atividades e administrações específicas.Nesse sentido, algumas regras básicas devem ser seguidas na caracterização das unidades de conservação, de acordo com seus objetivos específicos de manejo:

• conservação de amostras de ecossistemas em estado natural
• conservação da diversidade biológica
• conservação de recursos genéticos
• proteção de sítios e objetos do patrimônio cultural
• proteção de belezas cênicas
• estabelecimento de serviços de educação, investigação e monitoramento
• estabelecimento de serviços de recreação e turismo
• cooperação e apoio ao desenvolvimento rural através do uso racional
• manutenção da produção hídrica
• controle da erosão e sedimentação

Coleta de Informações Básicas

Nesta fase devem ser levantadas todas as informações que se fazem necessárias para a formulação do plano.
• Identificação preliminar dos objetivos e critérios de manejo: é fundamental que inicialmente sejam revisados os objetivos gerais da unidade de conservação (UC) do País e os objetivos específicos da UC em questão. Os objetivos devem se referir a aspectos concretos, devem ser significativos e possíveis de serem atingidos através do plano de manejo. A determinação dos objetivos e escolha dos critérios de manejo são interdependentes e estes últimos se baseiam em situações de ordem política, econômica, social e outras.
• Coleta de informações: deve-se fazer um exame minuncioso das informações descritivas e bibliográficas relacionadas com a UC e sua região. As informações, para cada aspecto a ser observado, devem partir de linhas gerais (região) para o específico (UC).


Fonte parcial: Unidades de Conservação - Conceitos e Prinícpios de Planejamento e Gestão. Miguel Serediuk Milano
FUPEF - Fundação

 
 

 

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