Índios
Atualmente
há cerca de 280.000 índios no Brasil, contando
os que vivem em centros urbanos, ultrapassam os 300.000.A
maior parte da terras indígenas (98%) está
na Amazônia Legal, onde moram 170.000 índios.
Reduzidos demograficamente e sistematicamente sujeitos
a pressões crescentes das frentes de expansão
econômica que avançam sobre as terras e os
recursos naturais, o futuro dos povos indígenas
no Brasil é ainda incerto.
Índios do Brasil
Em 1910 foi criado o Serviço de Proteção
ao Índio (SPI), chefiado pelo Marechal Cândido
Mariano da Silva Rondon - descendente de índios,
que trabalhou durante anos para melhorar as condições
de vida da população indígena brasileira
- dando início ao período de pacificação
dos índios e do reconhecimento do direito deles
à posse da terra e de viver de acordo com os próprios
costumes.
No ano de 1967, foi extinto o SPI, devido a inúmeras
denúncias de irregularidades administrativas, após
a saída do Marechal Rondon. No mesmo ano foi criada
em seu lugar, a Fundação Nacional do Índio
(FUNAI), que procurou estabelecer uma política
de respeito às populações indígenas
através de normas de bom relacionamento entre o
índio e a nossa sociedade.
Os primeiros índios do Brasil viviam em regime
de comunidade. A divisão das tarefas do dia-a-dia
era feita por sexo e por idade e todos ajudavam. Os ensinamentos,
as práticas, as histórias, a invocação
dos espíritos, os cantos e as danças eram
transmitidos de geração para geração
.
Os chefes das tribos eram os mais velhos, e eram eles
que resolviam problemas como doenças, mortes, desavenças
na família e na tribo, atrito entre as tribos vizinhas,
guerras e paz. Cada tribo tinha seus próprios costumes
seu jeito de viver, de morrer, de construir a aldeia,
de governar. A terra não era de um só e
sim de todos que nela viviam, não haviam demarcações
nem comércio.
Os primeiros portugueses que chegaram ao Brasil, mantiveram
um contato amistoso com os índios, pois precisavam
deles para trabalhar na extração do pau-brasil
e para defender o litoral dos contrabandistas, principalmente
franceses. Mas, com o aumento do número de portugueses,
as relações do branco com o índio
foram se tornando críticas, os índios reagiram
porque os portugueses roubavam-lhes as terras, atacavam
suas mulheres, tiravam-lhes a liberdade e transmitiam-lhes
doenças, algumas vezes causando a morte de todos
os habitantes de uma aldeia.
Apesar
da resistência, milhares de índios foram
escravizados no período colonial pelos portugueses,
que usavam armas de fogo para dominar as populações
indígenas. Nessa época, os portugueses escravizaram
os índios para forçá-los a trabalhar
na lavoura canavieira e na coleta de cacau nativo, baunilha,
guaraná, pimenta, cravo, castanha-do-pará
e madeiras, entre outras atividades. Não foi apenas
no Brasil que os portugueses mataram índios. Também
na África e na Ásia eles foram responsáveis
pela morte de milhares de seres humanos.
Dos aproximadamente 4 milhões de índios
que habitavam o Brasil na época da chegada de Cabral,
restam hoje mais ou menos 200 mil, sobrevivendo em condições
precárias e sob constante ameaça, principalmente
dos garimpeiros.
Reduzidos demografica e sistematicamente, sujeitos a pressões
crescentes das frentes de expansão econômica
que avançam sobre as terras e os recursos naturais,
o futuro dos povos indígenas no Brasil é
ainda incerto.
Aos 500 anos após o descobrimento, o Brasil ainda
desconhece a imensa diversidade de povos indígenas
que ainda vivem no País. Estima-se que hoje existam
aproximadamente 210 povos, com vários graus de
contato, cerca de 170 línguas e dialetos, distribuídos
em todo território brasileiro.
Alguns povos foram descobertos pela FUNAI e conseguiram
reconstituir sua própria sociedade. Os índios
que hoje vivem no País não falam apenas
o tupi-guarani, — tronco lingüístico
que abrange 30 nações indígenas —mas,
cerca de 170 línguas diferentes, como o Português.
|