O Índio e o Meio Ambiente

 

Procurar simbolicamente um "homo sapiens" que melhor represente, de modo ecológico, a espécie significa associação imediata ao índio. Na verdade, as etnias indígenas viveram sempre em perfeito equilíbrio com o ecossistema, o que foi quebrado a partir das influências do elemento desestabilizador: "o homem branco".


Se, por um lado, colonização, expansão de lavouras e mineração representam pontas de lança na abertura rumo ao interior, formação de núcleos populacionais e, depois, cidades; por outro há de se ver que os recursos naturais, o ambiente, pagaram alto preço dentro do sistema de exploração então adotado. Conseqüência: das matas originárias restam, conforme cálculos otimistas, apenas 5% no Paraná.

Apesar da flagrante devastação em reservas indígenas, sublinhando-se que, em muitos casos, o próprio homem branco encarregava-se dessa missão, inclusive, utilizando-se do índio como força de trabalho, fator representativo em termos atuais é a presença marcante de cobertura vegetal em várias reservas. Essa realidade desperta a cobiça de inescrupulosos no sentido de obter material lenhoso, ora escasso e, por isso mesmo, de elevado valor no mercado. As tentativas de retirada de madeira de áreas indígenas, suborno e acenos de lucro fácil, consituem sistemática praticada por madeireiros em oposição aos princípios do indigenismo oficial na região. Ainda não foram criados mecanismos capazes de impedir, coibir e encarcerar aqueles que se apoderam ou compram (por valor inferior) madeira de índios.

Ao se encontrarem ligados de modo direto às questões ambientais, os indigenistas enfrentam sérias dificuldades em manter relativo equilíbrio entre "homem/branco"/índio/ cobertura vegetal em áreas indígenas no Brasil. É ´reciso que se considere o contexto específico de cada região, a constante pressão externa sobre as reservas, a dimensão singular da problemática vivida por diversas etnias indígenas, sob a sina de absorção de hábitos, usos e costumes alienígenas impostos pela sociedade envolvente e determinados por circunstâncias de sobrevivência e, enfim, compelidos, em geral, a proceder diferentemente do desejado.

Seja como for, ao passar de quase 500 anos, apesar de toda a destruição, do cerco fixado por homens estranhos ao seu habitat primitivo, os índios, mesmo do Sul-Sudeste brasileiro, a rigor, não seguiram a trilha da devastação preconizada pelo "homem branco", tornando-se apenas uma espécie de espectador de filme pouco educativo.

Sem dúvida, preservar é preciso, como é necessário que os índios, mais uma vez, não sejam os mais sacrificados em favor de outros segmentos sociais.
Considerando-se que o "branco" negou ao índio a possibilidade, e dele tirou a capacidade de viver em equilíbrio com a natureza, forçando a atual situação em que o índio precisa produzir para seu sustento, um raciocínio lógico se pratica hoje no Estado do Paraná, como compensação financeira (por meio de royalties, ou ICMS ecológico) em troca da manutenção de recursos naturais existentes em reservas.

A realização de objetivos da sociedade não-índia situa-se em um plano diferente dos interesses indígenas, e mesmo ao desnível de direitos assegurados pela Constituição.
Há de se reconhecer os avanços obtidos na consciência do Brasil a respeito da questão indígena. Mas é preciso ainda mais: chegar ao conhecimento de realidades, sem esquecer o conjunto.

 

 
 

 

 

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